quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ele não tem carro

- Ele disse que não a convida para sair porque não tem carro. – diz a minha irmã enquanto me atualiza de um love is in the air alheio.

- Mas, meu Deus, o que ele é? Um homem ou um saco de batatas? – indago totalmente ciente que ele deve ter no máximo 20 anos.

- Ai, Kézia, você não entende. Alguns homens têm dessas coisas. – finaliza minha irmã mais nova que, claramente, tem melhor desenvoltura do que eu em relacionamentos .

Ok. Vamos aos fatos. É um moto-perpétuo (9,3 na escala Sheldon Cooper de arrogância). Estes homens não convidam mulheres para sair porque não têm carro. Elas continuam por aí, na pista, à espera de um encontro. Rapazes com carro chegam e fazem o convite. Elas aceitam porque “e se for ele?”. Homens sem carro apontam o dedo “Alá, só porque tem carro.” Estes homens não convidam mulheres para sair porque não têm carro. Elas continuam por aí, na pista... E assim continuamente.

Bom, eu me compadeço. Não tenho carro. Vivo argumentando que este é um bem depreciativo. Obviamente um discurso decorado de alguém que não tem o montante disponível para tal aquisição. Mas, rapazes, não é verdade que só gostamos de quem tem carro. As coisas não são bem assim.

Claro que ninguém gosta de ter que consultar o itinerário de ônibus e ficar 20 minutos no frio congelante esperando ele chegar, ou mesmo ficar dando mole pelas madrugadas enquanto o táxi não vem. Todos gostam de conforto. Mas também não é regra: “Oi, tudo bem? Tem carro? Ah, que pena! Então vaza”. Não!

Para conquistar mulher é fácil, rapazes. Chega a pecar pela simplicidade. Vou citar um diálogo real e impactante.

- Ah, lindo, andei pesquisando nossas alianças de casamento. Poxa, são tão caras.

- Mas, meu amor, elas serão para sempre! – disse o rapaz que nem tem carro...

Nós mulheres podemos ser complexas, indecisas, distraídas, demoradas, sem noção de espaço, sem orientação geográfica e confusas na baliza, mas somos muito simples. Só não deixamos isto muito claro porque vocês ficam ainda mais lindos quando estão quebrando a cabeça para nos agradar.


A matemática nem sempre é uma ciência exata.


Beijo grande
Kézia

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Pagar ou não a conta

"Quem paga é o homem. Sempre. Eu já vou engravidar e carregar o bebê por nove meses. Pagar a conta é o mínimo que ele deve fazer." É assim que ela tenta me convencer que estou muito errada. Pelo seu olhar, ela deve me achar uma imbecil por ficar tão boquiaberta ao ouvir seu raciocínio. Mas mulher é mulher. Ninguém entende. Nem eu que produzo estrogênio e progesterona.

Só conheci uma outra guria que andava assim com pensamentos tão tradicionais. A mocinha em questão tinha terminado o namoro há pouco tempo, de uma forma horrível e descobriu que o cara era um grandicíssimo mentiroso. Combinação nitroglicerínica. Perigosa. Tudo o que ela dizia era: “o próximo cara que se aproximar de mim, vai ter que lamber o chão que eu piso e o mínimo que ele deve fazer é pagar a conta.” Bom, ela conseguiu. Ele não lambe o chão que ela pisa, mas é apaixonado e ainda paga a conta. Até quando ele continuará colocando tudo no débito? Não sei. Só sei que ela merece mesmo ser tratada como princesa.

Mas será mesmo que tratar bem é sempre pagar? Espero que não, caso contrário, ai de nós os renda justa e parcialmente comprometida. A minha regra só vale para um primeiro encontro. Meu teste de "vale ou não esperar ele ligar" é justamente a hora de pagar a conta. Certamente quando o garçom chegar vou tirar a carteira da bolsa e tentar negociar com certa insistência a divisão da conta. Momentos de tensão. Caso ele diga: “beleza, são R$ 37,52 para cada”, desejo cair dura e seca ali mesmo, pago e no caminho de casa tento superar os dramas conquistados com a igualdade feminina. Pagar eu pago, mas não me verá de novo. Concorda comigo?

Beijo grande
Kézia

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sexta-feira de promessas

Enfim ela chegou. A sexta-feira. A convergência de todas as expectativas do mundo. Dia venerado e ansiosamente esperado por todos (a menos que você seja o @caodadepressao e esteja mais para: Sexta-feira. A solidão diz olá).

A história que vou contar aconteceu numa destas sextas-feiras embaladas por samba, chops gelados e enormes filas para pagar a conta. E foi exatamente nesta fila que um estranho diálogo aconteceu:

- Oi, já vai embora?

- Ah sim. Estou cansada. E você?

- Não. Só estou descansando.

- Ah, na fila? Você descansa na fila?

- Sim. Mas, escuta, me dá seu telefone e endereço?

- Oi? Telefone e endereço? Não, não dá. Eu moro longe.

- Longe? Longe quanto?

- Muito longe. Tipo no Acre.

Não, ela não morava longe. O fator susto foi causado pela falta de prática. Ela pensou: “mas será que as coisas mudaram tanto assim? Fiquei tanto tempo fora da pista que os caras mudaram a abordagem?”

Respondendo: não, flor. Não mudaram. Em pleno 2011 ainda existem aqueles que dizem “eu te conheço de algum lugar” ou “não lembra mais de mim?” ou ainda “dizem que gata tem sete vidas. Será que você poderia viver uma delas comigo?”. Não há muito o que temer. Sabemos muito bem que a regra é: eles não ligam no dia seguinte (aliás tenho muitos depoimentos masculinos explicando a mágica do desaparecimento). O cara da fila não seria diferente. Mas suponhamos que ele fosse diferente. Anotasse tudo bonitinho e no dia seguinte lembrasse muito bem disso tudo. Você está lá tranqüila e bela e eis que surge o ser na sua casa. O que você faria? Muito provavelmente iria se desencantar. Achar fácil demais. Falar que era excessivamente bonzinho. Desnecessariamente grudento. Assustadoramente insistente. E tantas outras coisas que encheriam os ouvidos de suas amigas. É...a couraça deste valente caiu rápido demais. E talvez você fosse preferir continuar buscando outras possibilidades nestas sextas-feiras cheias de promessa. Em outros ambientes. Com outros ritmos. Outros copos. Outras filas. Assim olhando para o lado de vez em quando. Como se estivesse procurando. Como se estivesse esperando. Como se estivesse desejando sentir seu coração disparar com um simples "me dá seu telefone?"


Uma ótima sexta-feira cheia das mais empolgantes promessas
Beijo grande
Kézia


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O dementador do Facebook

Lili adora tirar fotos. E Lili ama publicar suas fotos na internet. Seus álbuns são enormes. Muitas viagens, encontros, festas, maquiagens, mudanças de cabelo e vestidos novos são retratados ali. Nas últimas fotos que vi, Lili estava sorridente no casamento de seus amigos. Ah, kits-festa, como Lili gosta! Fotos com máscara, colares de neon, anteninhas de coração e muitos beijinhos para a câmera. Lili se esbalda. A única infelicidade de Lili é que, desde o Fotolog, quem expõe suas fotos está suscetível a comentários de viciados em internet tais como ela. E assim despertei do transe enquanto via as fotos de Lili naquele casamento:

- Lili comentou em sua própria foto: Casamento maravilhoso. Felicidades ao casal.

- Dementador comentou a foto de Lili: Não sei o que é pior: a morte de uma pessoa querida ou alguém se suicidar num casamento?

- Lili responde: Ah dementador, paaara. As pessoas se casam porque se amam. Deixa de ser amargo.

- Dementador replica: Eu amo muitas mulheres. Não me caso para não perder minha liberdade e transformar o amor em ódio. Não sou amargo. Sou a pessoa mais adorável do mundo. Só tenho uma opinião bastante contundente e polêmica. Beijos, Lilizinha.

Lili parou por aí. Mas ficou pensando se dementador não seria o tipo que um dia vai, sim, se casar e querendo ser durão até o fim e insinuar que virou zumbi dançará Thriller na cerimônia.



Beijo
Kézia

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

All My Loving

Uma pausa para ser apenas doce.

Querido lindo
Em algumas horas você estará tão longe e tão bem. Sentirei saudade das músicas que você me apresentava, das imitações do Silvio, da piada da colheitadeira, das camisas listradas, do seu jeito de ajeitar os óculos e da segurança que você sempre estaria aqui perto. Sentirei saudade de tantas coisas que ainda não consigo dimensionar... Lembre-se de mim se decidir visitar a Alemanha. Lembre-se da minha proposta para quando você voltar! Até lá "I'll send all my loving to you"


Um abraço apertado para você me guardar aí dentro
Kézia