quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Vida de Solteira

Fiquei sabendo tarde demais do Dia do Solteiro e quero me manifestar a nosso favor. Em primeiro lugar quero destacar que é muito doido esquecer uma data e não deixar NINGUÉM ofendido.

Estar solteira é não ter hora para chegar em casa e cada dia vir de um lugar diferente. Chegar cansada e não precisar ligar para ninguém para dar boa noite. Aceitar convites sem pré-consultas. Assistir o filme que eu quero. Acordar tarde no domingo. Não precisar ser atriz em ambientes familiares alheios. Ter o direito de ficar quieta sem alguém cutucando com o que delicioso “o que você tem?” (Por favor, JAMAIS faça isso comigo. Obrigada). Não precisar responder coisinhas cuidadosas como o “o que você fez ontem?” (Sofro um pouquinho com controle... fazer o quê?). Ter todo o meu tempo exclusivamente para mim. Viajar mais. Sair sem destino. Esquecer o celular em casa. Deixá-lo desligado. Nunca cozinhar. Decidir rápido o restaurante que quero ir. Comprar coisas novas sem fingir que elas sempre foram minhas. Acumular livros ainda não lidos. Sair só com amigos. Não brigar por ciúme. Não sentir ciúme! Não falar igual criança. Usar todos os meus vestidos.

O solteiro é aquele que tem uma agenda de telefones enorme com uns nomes estranhos que ele tem que se esforçar de modo sobrehumano para lembrar quem é. É aquele que não vive nenhum impasse sobre com qual família estará nas datas comemorativas. É o sujeito esperançoso que, mesmo ouvindo todos os comentários infelizes e conformados dos comprometidos, não se deixa abalar.

E estar solteiro é melhor que estar namorando? Ou noivo? Ou casado? Ou sei lá? Não. Não é. Nem melhor, nem tão pior. É mais uma fase da vida. E vocês devem concordar comigo que estar solteiro não é para qualquer um não. É coisa para os grandes. E ser um bom solteiro é uma arte que poucos dominam.

Não sou nem convicta nem desacreditada. Nem à procura nem à espera cheia de expectativa. Estou por aí. Só isso. E o que mais gosto é ter a oportunidade de aprender que a minha felicidade não depende de nada além do que eu tenho agora. Eu não serei feliz apenas quando mergulhar na Tailândia. Nem quando atravessar aquela faixa de pedestre de Londres. Nem quando estiver tomando cerveja no café da manhã alemão. Nem quando conhecer as montanhas da Turquia. A minha felicidade não é dependente de outra pessoa. Eu não preciso encontrar ninguém para me sentir completa. Porque eu já sou o meu inteiro. Sou tudo o que eu tenho. E este tudo é muito bom.

Hoje e sempre quero oferecer todo o meu carinho a alguém que todos os dias me faz querer ser uma pessoa muito melhor. Uma pessoa tão distraída e tão detalhista. Compreensiva e impaciente. Passional e tão racional. Uma pessoa totalmente maravilhosa que me impressiona pela beleza, simpatia, objetividade e bom humor. Alguém que cuida de mim do jeito que eu mereço. A melhor companhia do mundo: Eu!


PS- Preciso confessar duas coisas:
1. Neste momento estou lendo o novo livro da Elizabeth Gilbert: Comprometida.
2. No papel em que fiz o rascunho deste texto eu desenhei vários corações.
Opss


Beijo grande a mim
Beijo a todos os solteiros deste mundo. Coragem, queridos!
Beijo enorme a todos que dividem suas vidas com alguém
Beijo maior ainda ao Amor. E que este, sim, sempre nos encontre em qualquer estado civil.

Kézia

domingo, 15 de agosto de 2010

Sem surpresas

Ele chegou cortando a fila. Começou a puxar assunto. Mostrando que era meio calvo. Contando que era árabe. Que o avô era totalmente careca e que a beleza era genética. Oferecendo o telefone. Falando alto demais. Contabilizando que era 10 anos mais velho. E que já tinha sido casado. Ela achou que ele estava bêbado demais para conseguir mentir. Ele insistindo que poderiam almoçar no dia seguinte. Andar de moto. Ah tá! Ela que sempre teve medo de motos... “Mas pega meu telefone aí, vamos almoçar amanhã. O jantar está muito longe”. Deu a ela o casaco. Não para que ela se protegesse do frio, mas na intenção dela gostar do cheirinho dele. Muito sedutor. Ela se viu, num futuro próximo, presa em uma montanha russa de ciúme e insegurança. No dia seguinte, depois de garantir que ele preenchia com folga toda lista do “tudo o que não quero que ele tenha”, ela não teve dúvidas, ligou: “o convite de ontem só valia para o almoço mesmo?”. A decepção dos pré-requisitos era certa. Melhor assim. Ela nunca gostou de surpresas mesmo.


Beijo grande

Kézia

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Para a cabeça conversar com o coração

Toda madrugada era longa demais. Eu sempre pensava o que faria no novo dia. Para ter a sensação que o dia ia demorar para chegar, a gente saía andando por aí. Lembro do vento gelado. Da cidade quieta. Dos parceiros carregando o amigo bêbado. A menina que desabafava alto demais que ele não valia 1 real. Mentindo. Para ela, ele valia muito. Muito. E ela deixaria de pintar o cabelo de azul se ele pedisse. E ela ainda esperava ele ligar arrependido. Lembro dos meus amigos jogando War imaginário. Do jogo insuportável de palavras terminadas em ‘mente’. A temperatura que caía depressa. Você fechando mais um botão do casaco. Encolhendo os ombros. Sempre tinha uma música nova que você queria que eu conhecesse. E eu podia rir de todas. Chamar de romantismo brega. Mas eu queria que você entendesse que este era um sim. Sim, é você! Sim, eu também. Sim, eu tenho certeza. Sim, pode ser agora. Sim, sim. Então você precisou ir embora. E eu mudei o número do meu celular. E nunca mais li os emails. E eu quis um assassinato. E eu sabia que não poderia viver num mundo em que você não existisse. Daí as lembranças começaram a desbotar. Mesmo que eu me concentrasse não conseguia lembrar da sua voz. Nem como era aquele jeito estranho que você falava alguns fonemas. Nem como você mexia as mãos quando tentava me explicar alguma coisa. Nem como se desculpava por ter falado um palavrão... Até que hoje eu tive um sonho estranho. Você me abraçava e eu te abraçava. E eu fui acordando devagar. Como se fosse o momento de se afastar de abraçar. Olhei o relógio. Era hora da cabeça conversar com o coração. Não existia espaço para saudade. Não tinha mais lugar para fingimento. Era hora de fazer morrer ali também. Devagar. Como um abraço de despedida. Ser guardado num cantinho que seria visitado poucas vezes. Um cantinho que só cabe um suspiro. Onde todas as coisas que foram enormes ficam bem pequenininhas. E o coração ficar maior de novo. Tempo de ir sumindo aos poucos. Sem pressa. Como brisa de verão. E o coração finalmente aceitar que tudo passa. Como passa o vento.
Beijo grande e um abraço ao Pedro pela música inspiradora (oooo lindeza!)
Kézia

sábado, 7 de agosto de 2010

Perto do fim

"Eu apago das pastas todos os vestígios. Depois abro a lixeira e peço para restaurar tudo. Algumas músicas eu nem coloco mais para tocar. Não abro mais as fotos. E já estou mentindo de novo! Eu abro, sim, todas as fotos. Conheço bem todas as músicas. Decorei todas as conversas. Todos os meus amigos já ouviram a história. Não há quem não pergunte: 'tá bom, mas o que aconteceu?'. E não tem quem não ri quando eu respondo 'ah, nada!'. E eu não estou mentindo dessa vez. Eu reviro a memória em busca de sinais. Mas não existem sinais. Nenhum. Nenhunzinho. E eu nem ligo. Só gostaria de uma conversa bem sincera: 'Gosta de mim? Diga claramente. Não gosta de mim? Então minta!' "
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Certo. Sob estas condições, sugiro algumas ações:
1. Aproveite e emagreça um pouco
2. Compre um cachorro
3. Torça para o time adversário
4. Ligue, de madrugada, para o MELHOR amigo dele

Ah a vida...esta coisa colorida!
Ótimo final de semana
Amor amor amor
Kézia

domingo, 1 de agosto de 2010

Eu sou Beatrix Kiddo



Chego antes de começar a aula. Pelo que vejo, a turma tem umas 6 meninas. Ufa! Tem um RAPAZ na recepção! Aiaiai. Muito tímida e calma. Então, é minha primeira aula. Certo, a turma está terminando a aula (1. elas não serão minhas companheiras de turma?) e o vestiário feminino é por ali (hã?). Tá...por que preciso ir ao vestiário? Caso queira deixar suas coisas... e para a aula você deve ficar descalça. (2. frio e sem esmalte. Eiiiita ferro). Já esqueci o caminho que ele me indicou. Os caras são muito fortes. Um cheirinho impregna o lugar. Eu vou apanhar. Certeza. Eles vão me machucar muito. Mensagem pelo celular. Divida este momento comigo. Preciso ser forte. Volto ao espacinho. Não sei nem abrir a porta. Minha turma é composta de uns 20 rapazes. Procuro desesperada por um com cara de professor. Ali, sentadinho. Oi. Oi. Primeira aula? Aham (pavor!). Já pulou corda? Parei na infância. Vem aqui. 1ª pergunta: só tem rapaz? Não, geralmente tem umas 5 ou 6 meninas, mas hoje você deu azar. Ah, dei azar. Pior parte: pular corda. Primeiro ela era grande demais. Depois muito curta e enroscava no meu cabelo. Aparece outro professor tentando me ensinar. Simpático e querido. Mexa só os punhos. Vá aumentando a velocidade. Enrosca no meu cabelo. Não dá. Fracasso. Dou uma risadinha para parecer natural. Palavra maravilhosa de se ouvir: parou! Treinos em dupla. Oi. Oi. Ó eu não sei fazer. Ahaaaam e eu preciso mesmo contar. Entenda de uma vez, o cérebro e a boca são bem separados por um bom motivo. Entre os pensamentos e a língua existe um filtro. Use-o! Corrida. Lateral. Corrida. Polichinelo. Corrida de novo. Técnicas. Jab. Direto. Upper. Hook. Repito cuidadosamente todos os nomes para decorar. Você sabe o que é Muay Thai? Não (aqui não era boxe?). Então... muay thai... mãos livres... 8 armas... cotovelos, joelhos, canelas... Aula errada. Continuo. Disciplinada e persistente. Terminei a sequência, qual é seu nome? Bom sinal. Sempre tive sorte com este nome. Sei lidar. Ótimo. Qual a diferença entre boxe e muay thai? Pergunto baixinho. Tímida. Também me impressiono. Explicações. Dúvidas. E agora? Qual? Treinos em dupla de novo. Amei meu novo par. Solícito. Dá dicas. Me disse 3 vezes “seja bem vinda”. Gostei, mesmo com estes olhos azuis (olhos escuros sempre me deram mais segurança). Fim. Uma palavra indecifrável é berrada por todos. Cumprimento divertido. Um a um e olhando nos olhos. Vou ficar! Confiro os horários. Gostei do professor de hoje. Legal. Sempre tive sorte com este nome e já tenho um apelido para me referir a ele. Mas este mês será atípico. Não posso neste horário. Humpf. Preciso de outro. Segunda opção. Pausa. Coração disparado. Respiro fundo. Lembro-me de Kill Bill. O nome impronunciável. Ouço até o bipe. Coragem. É só um tempo. E na vida, cada um tem o seu Bill. Se eu soubesse o golpe dos cinco pontos, aplicaria em mim mesma. Na falta do macacão, quero luvas amarelas que receberão o nome da espada.
Música! Meu nome é Beatrix Kiddo, tenho uma Hattori Hanzo, um último nome na lista e quando eu chegar ao meu destino “I’m going to kill Bill”.




Muito radiante
Kézia