quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ao som daquela música

E acontece assim, no meio da noite, antes da próxima rodada, de repente, enquanto todo mundo ri e eu presto atenção à música. É aquela sabe? Com o solo de gaita. Essa mesmo. E é como se eu voltasse pra aquela casa pequena que parece estar sempre de mudança, mas nunca fica desocupada de vez. No meio da sala ainda estão aquelas caixas de “Coisas que nunca aconteceram”. Engraçado como estas caixas são as maiores. Sempre abertas. Ainda remexidas da última vez que estive aqui. Sempre tão cheias de coisas. As conversas depois da segunda garrafa de vinho. A viagem para Barcelona. O feriado em Buenos Aires. A casa do sítio. O rio para pescar no final da tarde. O jardim de margaridas. O carro novo. A mudança de cidade. Olhando de perto eu percebo que não deveria ter voltado aqui. Por que de novo? Lobotomia? Como eu odeio este lugar! E mesmo assim eu volto. Mesmo sabendo que não cabe mais nada aqui. Nem a mim. Mas e se eu ficar só mais um pouquinho? Só até o final da música. Só até cansar de revirar as caixas. Até fechar a porta e esconder tudo de novo. E esperar a casa ficar vazia. E a plaquinha de Bem-Vindo ser pendurada na porta. Até novas caixas chegarem. E eu queira, enfim, abri-las. Pra então deixar o sol entrar pelas janelas outra vez.


Beijo grande e um vasinho de margaridas

Kézia

4 comentários:

3 x Trinta - Solteira, Casada, Divorciada disse...

Lindo!

O importante é ter tanto sentimento dentro do peito, eu acho.

Beijos, ótimo finde procês,

Bela - A Divorciada

Blog Sozinha ou Acompanhada disse...

Ai Kézia... eu tb abro a caixa às vezes... É meio inexplicável, mas é como se fosse um pedaço da gente, um apêndice!
beijocas,
Mari

nanda disse...

Nós, mulheres temos umas manias...
Eu sempre que não resisto, abro a mesma caixa...
Já ouviu o "O Último Pôr do Sol" do Lenine?
É mais ou menos isso...
"No dia que ocê foi embora eu fiquei sozinho no mundo sem ter ninguém, pensando no que já vivi, lembrando nós dois..."
Mesmo assim, é muiiiiiiiiiiiiiiiiito bom sentir!!
Beijocas!

Fabiane Siqueira disse...

Querida,

Não teriamos nenhum futuro se não houvesse um passado!!!

Experiências ricas que fazem de nós o que somos (ou não)!!!

Eu acolho e amo minhas caixas todas, algumas abro com respeito, outras com saudades...mas tenho muito orgulho de todas elas!!!

beijo Grande!!